Sempre que converso sobre tendências e a maneira particular com que essas se espalham aqui na América do Sul, mais especificamente no Brasil ,sempre faço um adendo: a televisão tem um papel imprescindível na disseminação da cultura de massa nas bandas de cá.

A internet, redes sociais e a tecnologia em geral acabaram criando novos nichos e auxiliando na comunicação de muitos temas nas classes A e B. Porém, já não é de hoje que, com o aumento do poder aquisitivo brasileiro e a estabilidade econômica, os olhos das grandes marcas passaram a focar nesse grande mercado (sobre o tema, pesquisa da WMcCann). De acordo com uma pesquisa do instituto Data Popular, os gastos da classe C aumentaram quase sete vezes entre 2002 e 2010. Isso significa que esse público responde hoje por 41,3% do consumo no Brasil (exame.com). De olho nisso empresas como Gol e Tam passaram a ter lojas em metrôs e estações de trem, vender passagens no crediário do Magazine Luiza, entre tantas estratégias para abocanhar essa bela fatia.

Toda essa movimentação de incentivo ao consumo obviamente teve como trampolim a televisão – aberta e fechada – produzindo cada vez mais conteúdo a esse público que já não se basta com programas de auditório e novelas. É uma sociedade que vê na televisão um “guia”, um direcionador e depois sai atrás de mais informações em revistas, jornais e, é claro, a web.

Duas personalidades da comunicação, uma com carreira estritamente popular e outra que, após sair da Rede Globo alcançou, por meio de seus projetos fora de televisão, reconhecimento como formadora de opinião e geradora de conteúdos acabam de lançar produtos que estão direcionados a esse público.

Ratinho lançou um site de compras coletivas focado nos interesses da classe C e D em parceria com o Ofertas.com.br.

Ana Paula Padrão, que passou anos na Globo como apresentadora acabou migrando para outras emissoras e, com projetos paralelos como Touareg Conteúdo, soube criar uma reputação como agência de conteúdos e jornalismo. Essa semana em São Paulo ela lançará oficialmente o portal Tempo de Mulher que promete ser o maior espaço tanto para informação quando para estudo do comportamente feminino brasileiro. Será? Apoio das grandes marcas ela tem de sobra.

É interessante notar que ambos se apoiam na notoriedade já percebida para alavancar projetos que parecem já nascer exitosos.