Há muito tempo atrás, dizia que seria publicitária. Com 10 anos tinha certeza que o publicitário era aquele cara bacana que fazia com que as coisas que eu nem sabia que eu gostava se tornassem indispensáveis na minha vida (um pouco de idealismo, confesso). Nesse momento também desenhava bonecas, fazia casinhas, desenhava plantas de apartamentos que nunca terei e ainda tentei aprender com minhas queridas avós a arte do tricô, crochê e da pintura aquarelada.
Minhas avós eram grandes artistas. Nunca soube bem o que cada uma fez na época que trabalhou, talvez nunca tivesse tido importância saber mesmo.
O que importava é que elas curtiam muito o que elas faziam. Do doce à pintura, dos blusões e passadeiras aos jardins perfumados da querida Vó Rosa.

Ando numa fase vôs e vós. E talvez por isso esse post soe tão autoral. Sim, prolixidade faz parte desse blog, de posts escassos e longos, como aquelas visitas que demoramos a fazer aos amigos queridos mas que acabam durando horas e se despedem com um: “deveríamos fazer isso mais vezes”.

Voltando aos meus avós, eles eram grandes trendsetters, multitaskers em uma era completamente analógica, eles incentivaram minha curiosidade pelo mundo, minha “angústia” por estar todo o tempo querendo o novo, entender o mundo.
Se hoje o que faço recebe o bonito nome de cool hunting, é porque a busca pelo propósito e o porquê das coisas me motivava, desde pequenina, a abrir gavetas: reais ou imaginárias. Seguindo uma pergunta após a outra ao olhar com estranhamento uma nova paisagem, uma nova situação.
Tive que percorrer o caminho da publicitária, da designer e de tantas outras personas que vesti ou me vestiram para criar o mix que hoje me fazem entender a função do trabalho que desempenho. Para marcas e pessoas que também estão atrás de seu próprio propósito e essência.
O sabor da descoberta é como o do garimpar de uma pedra, olhar atento, movimentos delicados, sentidos à flor da pele até que o brilho surja, trazendo o sentido à tona. A pepita de ouro.
Não sei se terei filhos, mas certamente serei dessas vós, mesmo que emprestadas, que instigam e motivam, como meus avós fizeram comigo há tantos anos atrás, me motivando a encontrar meu próprio propósito. Minha essência. Você já encontrou a sua?